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Há quase 3 meses, mais precisamente no dia 28 de junho passado, o mundo acompanhava em Honduras, na América Central, algo muito visto na região durante a Guerra Fria. O presidente Manuel Zelaya, eleito em 2006 para mandato até 2010, foi deposto pelas Forças Armadas do país, em sintonia com Parlamentares. Desde então, Zelaya não pode mais entrar no país. Quando tentou ao território hondurenho, foi ameaçado de prisão por parte do governo de Roberto Micheletti, eleito de maneira indireta pelo Congresso.
A causa do golpe de Estado remete a uma tentativa de realização de um plebiscito para uma possível mudança na Constituição hondurenha. Zelaya tinha a intenção de realizar o plebiscito juntamente com as eleições presidenciais em 29 de novembro próximo. O Congresso, entretanto, aprovou uma lei que proíbe a realização de votação 6 meses antes ou depois das eleições, o que impossibilitaria a realização. O estopim se deu com a tentativa de de um pré-plebiscito, marcado para 28 de junho. O Congresso e as Forças Armadas foram contrários, o que resultou na retirada do cargo do chefe militar do país.
Decidido a realizar o referendo, Zelaya buscou ajuda de partidários, porém exatamente no dia que estava marcado para ser realizada a pré-votação, teve sua casa invadida por militares logo pela manhã. Foi preso e deportado do país, tendo sido acolhido por diversos países latino-americanos. Com a subida de Roberto Micheletti ao poder, nenhum país reconheceu o governo e a Organização dos Estados Americanos (OEA) proibiu a participação de Honduras na Organização. Além disso, países como Brasil e Estados Unidos romperam relações formais com o país da América Central, principalmente no âmbito econômico.
Hoje, dia 21 de setembro, o presidente Zelaya retornou ao seu país. Após ser impedido de pousar uma vez e ameaçado constantemente de prisão, a Embaixada do Brasil em Honduras cedeu abrigo ao político deposto, que entrou misteriosamente no país, sem autorização e correndo o risco de ser preso pelos militares. Imediatamente após a volta de Zelaya, diversos manifestantes pró-Zelaya foram às ruas demonstrar apoio.
O governo de Honduras se manifestou pedindo ao Brasil que entregue Zelaya à justiça, para ser julgado no país. O governo brasileiro, entretanto, já se demonstrou contrário ao golpe e não reconhece o governo de Micheletti. A posição brasileira segue a posição de Hugo Chavez, Evo Morales, Rafael Correa, gerando críticas por parte de oposicionistas. Tal posicionamento, todavia, é apoiado por todas as nações do planeta, inclusive algumas como Colômbia e Estados Unidos, exatamente opositores aos presidentes citados anteriormente. Dessa forma, uma crítica ao governo brasileiro quanto à política “alinhada” ao presidente venezuelano Hugo Chavez é totalmente descabida.
A atitude tomada pelo governo brasileiro demonstra a “preocupação” para com as relações políticas internacionais, principalmente na América Latina. É evidente que o Brasil exerce uma posição de liderança em especial na América do Sul. Além disso, os interesses brasileiros no âmbito da diplomacia internacional com certeza pesam em decisões como esta. O fato de nosso país ambicionar um lugar de destaque no cenário geopolítico acaba influenciando ainda mais tal liderança. O retorno de Zelaya ao poder em Honduras é interesse mundial e a liderança brasileira no processo passa uma boa imagem aos líderes do mundo todo. Nada mais correto para alguém que aspira um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Em síntese, um bom trabalho da diplomacia brasileira.
Cazuza – Faz Parte do meu Show
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