Brasil | Tratamento Ludovico
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Brasil

Kassab e sua “Kassação”

fev 21st, 2010 by Murilo Romulo

Com perdão do péssimo trocadilho (créditos ao Yama), o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab teve cassado seu mandato por ordem da Justiça Eleitoral. O motivo, algo que nunca acontece no Brasil: recebimento de doações ilegais nas últimas eleições, em 2008.

Justamente no dia em que Dilma Roussef lançou oficialmente sua pré-candidatura à presidência com apoio do PMDB, um dos principais nomes do DEM tem seu mandato cassado. Não que afete diretamente nas eleições presidenciais, mas é algo a ser lembrado nas urnas. Rejeição faz sim muita diferença.
Queen – Sheer Heart Attack

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Vestibular da Unesp FAIL!

dez 22nd, 2009 by Murilo Romulo

O sumiço recente tem uma explicação relativamente boa. Recentemente começou minha maratona de vestibulares, apesar de estar prestando apenas para quatro faculdades. Mesmo sem ir mais para aulas, acabei ficando um tempo sem postar, mas ainda assim está valendo. Entre os vestibulares que fiz, está o da Unesp, realizado pela Vunesp.

Dia 8 de novembro aconteceu a primeira fase do vestibular, composta por 90 questões de múltipla escolha. Até aí normal, não fosse a péssima distribuição das questões, já que matemática, química, física e biologia tiveram, no total, 30 questões, ou seja, 7 ou 8 questões para cada matéria. Por outro lado, história, geografia e filosofia tiveram também 30 questões, sendo que as questões que poderiam ser consideradas de filosofia, foram muito mais de história. Por fim, foram basicamente 15 questões de história e mais 15 de geografia. Diria que um tanto desbalanceado.

Não bastasse tal fato, o nível das provas estava extremamente desigual, com geografia, português e história questões bastante fáceis, enquanto matemática estava com um nível absurdamente alto. Um exemplo de tamanha disparidade, matemática tinha uma questão de geometria analítica que cobrava elipse, tema que muito raramente está presente em vestibulares, sendo quase ignorado pelos professores (em alguns colégios, tal tema nem está presente no conteúdo). Obviamente, a prova foi bastante criticada pelos professores dos principais cursinhos.

Ontem e hoje (20 e 21 de dezembro) foi realizada a segunda fase do vestibular da Unesp. Não satisfeita com uma prova ruim na primeira fase, a segunda foi tão ruim quanto. Primeiramente, alguém que está prestando Medicina Veterinária fazer uma prova de segunda fase, e esta prova ter 6 questões de história, 6 de geografia, 3 de biologia e 3 de química é algo extremamente complicado. Creio que saber biologia e química, no meu caso, é um tanto mais importante do que os conhecimentos sobre história. Além dessa falha numérica, o nível da prova estava totalmente desproporcional em relação à primeira fase. Das três questões de matemática, acredito que duas estavam mais fáceis do que a maioria (se não todas) das questões da primeira fase, algo totalmente ilógico.

Em um ano de tantas mudanças nos vestibulares, inclusive no da Unesp, uma prova como essa mostra a ineficiência e falhas nos sistemas de avaliação. Além disso, mostra que não é apenas o tão famoso Novo ENEM que apresenta falhas. Lamentável, Vunesp.

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Era o que faltava: o adiamento do novo ENEM

out 1st, 2009 by Murilo Romulo

Um ano de mudanças. 2009 será lembrado por todo vestibulando como um ano atípico, cheio de mudanças nos grandes vestibulares, especulações, boatos e muitas incertezas. Para melhorar ainda mais, surge a tal da nova gripe (também conhecida como gripe suína). O caos para aqueles que tanto se dedicaram por tanto tempo. Tudo que não queriam, aconteceu.
A maior mudança, entretanto ficou por conta do novo ENEM. Até então, o exame era tido como tranqüilo para aqueles que aspiravam por uma vaga no ensino superior público. Para esse ano, claro, tudo mudou. A dúvida se instalou na cabeça dos vestibulandos. Ninguém sabia como seria, o que seria, como seria cobrado. Aos poucos, as dúvidas foram diminuindo, com simulados, discursos daqueles envolvidos na preparação e tudo o mais. A hora estava próxima e, claro, para alegria de todos que brigam por uma vaga na faculdade, mais problemas. Uma fraude e o ENEM está adiado. Para quando? Ninguém sabe; no máximo, daqui 45 dias. Foi difícil acreditar, mas cancelaram um exame para 4,1 milhões de estudantes dois dias antes de sua realização.
Agora? Resta a nós, estudantes, aguardarmos a nova data e… ESTUDAR! Se antes pelos menos sabíamos quando seria o ENEM, agora nem isso mais.
 
Cream – Politician

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O Brasil comprando a briga em Honduras

set 22nd, 2009 by Murilo Romulo

Há quase 3 meses, mais precisamente no dia 28 de junho passado, o mundo acompanhava em Honduras, na América Central, algo muito visto na região durante a Guerra Fria. O presidente Manuel Zelaya, eleito em 2006 para mandato até 2010, foi deposto pelas Forças Armadas do país, em sintonia com Parlamentares. Desde então, Zelaya não pode mais entrar no país. Quando tentou ao território hondurenho, foi ameaçado de prisão por parte do governo de Roberto Micheletti, eleito de maneira indireta pelo Congresso.

A causa do golpe de Estado remete a uma tentativa de realização de um plebiscito para uma possível mudança na Constituição hondurenha. Zelaya tinha a intenção de realizar o plebiscito juntamente com as eleições presidenciais em 29 de novembro próximo. O Congresso, entretanto, aprovou uma lei que proíbe a realização de votação 6 meses antes ou depois das eleições, o que impossibilitaria a realização. O estopim se deu com a tentativa de de um pré-plebiscito, marcado para 28 de junho. O Congresso e as Forças Armadas foram contrários, o que resultou na retirada do cargo do chefe militar do país.

Decidido a realizar o referendo, Zelaya buscou ajuda de partidários, porém exatamente no dia que estava marcado para ser realizada a pré-votação, teve sua casa invadida por militares logo pela manhã. Foi preso e deportado do país, tendo sido acolhido por diversos países latino-americanos. Com a subida de Roberto Micheletti ao poder, nenhum país reconheceu o governo e a Organização dos Estados Americanos (OEA) proibiu a participação de Honduras na Organização. Além disso, países como Brasil e Estados Unidos romperam relações formais com o país da América Central, principalmente no âmbito econômico.

Hoje, dia 21 de setembro, o presidente Zelaya retornou ao seu país. Após ser impedido de pousar uma vez e ameaçado constantemente de prisão, a Embaixada do Brasil em Honduras cedeu abrigo ao político deposto, que entrou misteriosamente no país, sem autorização e correndo o risco de ser preso pelos militares. Imediatamente após a volta de Zelaya, diversos manifestantes pró-Zelaya foram às ruas demonstrar apoio.

O governo de Honduras se manifestou pedindo ao Brasil que entregue Zelaya à justiça, para ser julgado no país. O governo brasileiro, entretanto, já se demonstrou contrário ao golpe e não reconhece o governo de Micheletti. A posição brasileira segue a posição de Hugo Chavez, Evo Morales, Rafael Correa, gerando críticas por parte de oposicionistas. Tal posicionamento, todavia, é apoiado por todas as nações do planeta, inclusive algumas como Colômbia e Estados Unidos, exatamente opositores aos presidentes citados anteriormente. Dessa forma, uma crítica ao governo brasileiro quanto à política “alinhada” ao presidente venezuelano Hugo Chavez é totalmente descabida.

A atitude tomada pelo governo brasileiro demonstra a “preocupação” para com as relações políticas internacionais, principalmente na América Latina. É evidente que o Brasil exerce uma posição de liderança em especial na América do Sul. Além disso, os interesses brasileiros no âmbito da diplomacia internacional com certeza pesam em decisões como esta. O fato de nosso país ambicionar um lugar de destaque no cenário geopolítico acaba influenciando ainda mais tal liderança. O retorno de Zelaya ao poder em Honduras é interesse mundial e a liderança brasileira no processo passa uma boa imagem aos líderes do mundo todo. Nada mais correto para alguém que aspira um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Em síntese, um bom trabalho da diplomacia brasileira.

Cazuza – Faz Parte do meu Show

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Recordando… Twister, alguém lembra?

set 15th, 2009 by Murilo Romulo

Recentemente, em minha estadia em São Paulo, recordei algumas tantas músicas ruins na companhia de alguns amigos. Claro, que uma ou outra acaba ganhando destaque. Como meu grande amigo Yama destacou, a letra de uma música chamada 40 Graus, da banda Twister merece uma análise. Para quem não lembra, a banda foi liderada pelo vocalista Sander e teve uma carreira relâmpago, aparecendo em 2001 com músicas entre as primeiras colocadas nas “paradas de sucesso”. Logo depois o vocalista foi preso por tráfico de drogas e a banda sumiu totalmente. O maior sucesso, 40 Graus de Febre, nunca será esquecido por cada brasileiro. Coloco aqui a letra, entre parenteses, uma análise de cada verso.

A cada dia, a cada vez (chorei, quase)
Que eu te vejo, ali no play, (Play? Oi? É de comer?)
Eu fico tonto, eu fico mal (Mal por ver no “Play”?)
É claro que nada é igual! (Filosófico demais)
Como se eu andasse (…)
no sol sem chapéu… (Ahnnn???)
Como se meus dedos tocassem (Ui)
o inferno e o céu! (Ver no “play”, ficar mal, sem chapéu… ahnnn?)
Por trás do meu óculos ray-ban (Tudo a ver, né?)
Eu te vejo todas as manhãs… (Todo mundo!!!!)
Todas as manhãs… Todas as manhãs… (Chorei!)

Meu amor, esse amor (Ahh que lindo)
Dá 40 graus de febre (Amor que dá febre? Tadinho, vai morrer)
Queima pra valer… Queima pra valer… (Sugestivo para uma banda campineira)
É assim como o sol (6000ºC oO)
Derretendo toda a neve (Derreteu e evaporou)
Dentro de você… Dentro de você… (Neve, dentro de uma pessoa?!?!)
Queria tanto poder perguntar (…)
Mas a resposta, sua resposta qual será? (Perguntar o que? oO)
Se eu fico mudo eu mesmo digo não! (Quem cala consente… ou não! Desde que mudo… ou não!)

Ok! ok! Só mais uma vez… (Vai, todo mundo!!!)
Ando assim até o fim da street (MELDELS!)
E você me olha mais sweet (Uma rima em inglês, a próxima é em turco)
Os seus olhos são quase um mar (Chorei, de novo)
Que eu queria tanto mergulhar (Mergulhar nos olhos… Profundo!)
Sei que isso é um drama (EMO!)
Que eu estou exagerando (Então por que cometeu o crime de escrever a música?)
Mas não é assim que age (Comofas?)
quem tem esses anos? (Uma criança apaixonada?)
Até eu ter coragem de dizer (Ahn?)
Que eu quero… Que eu quero você… (Ohhh, que belezinha)
Que eu quero você… Que eu quero você… (Chorei, mais uma vez!)
 

 Lendo essa obra-prima de letra eu sinto que falta algo. Falta noção para um músico escrever algo desse tipo. Falta mais noção por parte das pessoas por ouvirem algo tão… Peculiar! Sério, versos tocantes, com uma lógica absurda. Sinceramente, tenho medo da música brasileira, muitas vezes.

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Falta Ética (e razão)

ago 23rd, 2009 by Murilo Romulo

O Brasil tanto luta para se inserir no mundo dos países desenvolvidos. Até comemora o fato de ter sido classificado como tal pelo Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH. Apesar da “conquista”, pode-se dizer que é uma grande ilusão considerar nosso país realmente desenvolvido.

Creio que podemos observar o desenvolvimento de um país por meio de sua população. A educação e o respeito para com o próximo é um fator chave para se diferenciar o desenvolvido do não-desenvolvido. Em países europeus, um funcionário de uma fábrica estaciona seu carro mais longe da entrada, mesmo chegando mais cedo; pensa em teu colega que terá menos tempo para descer do carro e “bater cartao”. Já no Canadá, em uma estrada “de roça”, os ônibus escolares não vão para o acostamento quando param, e o transito dos dois lados da estrada é interrompido, pois a parada do ônibus indica que uma criança atravessará a pista. No Brasil, situações como as descritas não são nem imaginadas.

Durante essa semana, saí para andar de bicicleta e estive próximo de uma cena lamentável. Estava em uma das principais avenidas de minha cidade (Avenida Brasil, para quem conhece), andando, embalado, em uma daquelas “ciclovias” que podemos melhor chamar de “ciclofaixa”. Logo a frente, um ônibus circular encostava para a pista da direita, quando uma van fretada não esperou o ônibus completar a manobra para ultrapassá-lo. A van simplesmente invadiu a ciclofaixa, batendo no guidão da bicicleta de um sujeito que vinha na ciclofaixa, na contramão, entretanto. Para piorar a situação a van nem cogitou parar para verificar se havia ocorrido algo de mais sério com o sujeito.

Felizmente, o sujeito rapidamente se levantou, não sofreu nenhuma lesão séria, subiu na bicicleta e saiu andando normalmente. Não digo que o sujeito teve razão, pois ele andava na contramão, já que a há uma ciclofaixa de cada lado da avenida (nela, há um rio passando no meio). Por outro lado, nunca ninguém espera que uma van sem noção entre na ciclofaixa, sem nem olhar se há ciclistas. Em questão de segundos eu que estaria passando pelo local onde o ciclista foi atropelado.

Disso, vem meu questionamento? De quem é o erro? Não podemos dar razão para o ciclista, já que estava na contramão; bicicleta é considerado um meio de transporte como qualquer outro e exige que o ciclista respeite as leis de trânsito. Também a razão não é da van, já que não deu seta indicando que sairia para a direita e invadiu a ciclofaixa. Seria então falha da Prefeitura, que simplesmente implantou uma ciclofaixa em uma via que não fora construída com tal finalidade, dando aos ciclistas a falsa sensação de segurança? É triste relatar isso, mas com um pouco mais de ética, respeito e bom senso poderíamos evitar situações como estas e acidentes mais graves. Infelizmente o “jeitinho brasileiro” da Prefeitura, com a implantação de uma “ciclovia” em uma via principal, a falta de respeito e cuidado do motorista e do ciclista fizeram mais um acidente. Lamentável.

 

Led Zeppelin - Moby Dick

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A falta de paciência do torcedor brasileiro

ago 17th, 2009 by Murilo Romulo

O futebol. A paixão nacional. O esporte predileto da maioria dos brasileiros. O único esporte transmitido com frequência na televisão aberta brasileira. Um dos eventos com maior frequência da população (entre atividades culturais e etc). O melhor futebol do mundo, mesmo sem os melhores jogadores atuando no país, atrai multidões para os estádios.

Recentemente, depois de algum tempo sem frequentar estádios, assisti à uma partida de meu Palmeiras contra o Grêmio, no glorioso Palestra Itália. Em vista de um pouco mais de conforto (e facilidade na compra de ingresso, já que a compra foi feita via internet), fui no chamado Setor Visa, onde o ingresso é um pouco mais caro, mas são cadeiras numeradas em uma região com boa vista do campo. Cheguei no estádio e deparei com algo assustador, sob certo ponto de vista: a presença maciça de mulheres e crianças. Havia uma grande variedade de gerações, desde senhores “italianos” com suas esposas, até a nova geração palmeirense, com menos de 8 anos. Todos unidos por uma paixão; interessante, de certo modo.

Jogo vai-jogo vem, o Palmeiras marcou primeiro e logo tomou um gol. Depois disso, o time não apresentou um desempenho tão bom, errando muito e não oferecendo perigo para o adversário. Então começou a reclamação. Alguns torcedores começaram a reclamar de tudo quanto era jogador: o que estava com a bola era alvo de críticas. Nem o goleiro Marcos, ídolo máximo do time, foi poupado de críticas. Isso, de certo modo, me revoltou. Estava ali para torcer pelo time. Mesmo sem uma grande apresentação, torci até o fim, gritei, apoiei, lamentei. Até fiquei rouco, diga-se de passagem. Claro que reclamei de um ou outro erro, mas totalmente pelo calor do jogo. Ir ao estádio é para torcer e apoiar o time, não reclamar de todos. Se fica tão desagradado, não há lógica ir ao estádio. Ficar em casa é mais barato.

Para constar, dias antes, Obina era o melhor jogador do mundo ao marcar três gols contra o rival Corinthians; aquele dia, era o pior jogador do mundo, ruim, tosco e deveria ser depedido do time.

Lamentável.

 

Seu Jorge – Burguesinha

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1 ano de blog

ago 11th, 2009 by Murilo Romulo

Na verdade, oficialmente,hoje o  blog tem 1 ano e 3 dias (considerando que são 1:16 da manhã do dia 11 de agosto). Para ser sincero, nem tinha reparado que havia completado um ano, até porque o blog entrou de férias junto comigo. Acabei não alongando tanto as férias dele, já que as minhas aumentaram em duas semanas devido à gripe. De qualquer forma, dia 8 de agosto completou 1 ano do primeiro post, na época ainda com o domínio do Wordpress. Em um ano, ele já cresceu, evoluiu, migrou e hoje está em um domínio próprio. Esse semestre promete muito. Novidades virão e prometo continuar postando.

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Um ano de Epidemias

ago 8th, 2009 by Murilo Romulo

Por Nicolau Marmo

Na área de vestibulares, nunca houve um ano tão conturbado como este. Tudo começou com o Acordo Ortográfico, rejeitado pelos intelectuais de Portugal, com tendência para transformar-se em Reforma Ortográfica Brasileira. Conseqüência terá trema nos próximos vestibulares ou não? Ou tanto faz? Não há uma decisão comum entre as várias Comissões Examinadoras. Essa dúvida permanecerá por algum tempo na cabeça dos alunos, sem consequências, esperamos.

O ENEM, que há dez anos avaliou o Ensino Médio, agora vai também selecionar alunos para as universidades federais. Ou uma coisa, ou outra; certamente não fará as duas com eficiência. Por que o MEC não torna o “velho” e bom ENEM obrigatório e, assim, avalia o universo dos alunos do Ensino Médio? E por que não propõe uma outra prova adequada para selecionar alunos para as universidades federais? Essa prova seria elaborada conforme os princípios dos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais). Vamos batizá-la? Aí vai: VUF – Vestibular das Universidades Federais.

A USP vinha tão bem, por que mudou? Avaliava a formação geral dos candidatos, apontando para a necessidade de formar profissionais generalistas. Avaliava os Conhecimentos Específicos, requisitos obrigatórios para o acompanhamento dos cursos escolhidos. Fazer Engenharia sem uma boa base de Matemática, Física e Química ou fazer Medicina sem uma boa base de Física, Química e Biologia era inconcebível, até o ano passado. Questões muito bem formuladas, cobrando raciocínio, sempre que possível contextualizadas, algumas com relações interdisciplinares. A prova de Português era suficientemente valorizada, pesava tanto quanto Biologia, na carreira Medicina. O vestibular da USP era modelar, conseguia selecionar os alunos mais aptos a ocupar as vagas oferecidas. Novamente, por que mudou? Não encontramos uma resposta satisfatória.

Como ficou? Haverá uma prova de Conhecimentos Gerais, na forma de testes, como foi no ano passado. No entanto, essa prova será seletiva, mas não classificatória. A classificação será feita por meio de três provas discursivas, com o mesmo valor: Português, Conhecimentos Gerais e Conhecimentos Específicos.

Ignorando o significado de Conhecimentos Específicos, resolveram substituir, na seleção de candidatos a Medicina, Física por Geografia! Voltaram atrás, em São Paulo. A aberração permaneceu na Medicina de Ribeirão Preto.

A prova de Conhecimentos Gerais envolve sete disciplinas: Matemática, Física, Química, Biologia, História, Geografia e Inglês. Como as três provas têm o mesmo valor, é fácil concluir que Português, para Engenharia, vale 7 vezes mais do que Biologia e, para Medicina, 7 vezes mais do que Matemática!

E quanto às disciplinas de Conhecimentos Específicos? Para a carreira de Medicina em São Paulo, por exemplo (Biologia, Física e Química), Português vale aproximadamente o dobro de Biologia! Futuramente, atestados de óbito serão peças literárias.

A UNESP vinha muito bem. Resolveu mudar, para aproximar-se dos princípios dos PCNs. O seu vestibular realizar-se-á em duas fases: Conhecimentos Gerais na forma de testes, envolvendo todas as disciplinas, e Conhecimentos Específicos com questões discursivas, envolvendo… todas as disciplinas! Nessa altura, não se sabe mais o que são Conhecimentos Gerais e o que são Conhecimentos Específicos.

O exame ainda trará novidades: Artes (Literatura, Pintura, Escultura, Cinema, Educação Física, Informática) e Filosofia! A UNESP pretende selecionar verdadeiros Da Vinci!

Depois de tudo isso, vem a gripe A (H1N1)… É demais, não acham?

 

 

Nicolau Marmo é coordenador geral do Sistema Anglo de Ensino

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Lamentáveis mudanças, senhor Haddad e dona Fuvest

mai 22nd, 2009 by Murilo Romulo

O ano de 2009 será lembrado pelos vestibulandos como o ano das maiores incertezas. Há muito tempo fala-se em mudanças nos exames de ingresso nas universidades, mas até então nenhuma atitude muito radical havia sido tomada em massa. Infelizmente (pelo menos em meu ponto de vista, no 3º ano do Ensino Médio), esse ano todas as mudanças foram colocadas em prática.

Primeiramente especulava-se sobre um novo ENEM, com declarações do Ministro da Educação Fernando Haddad. Logo depois das especulações, a Unesp, assim como outras universidades públicas, anunciaram mudanças em seus vestibulares. De modo geral, o argumento de todas era a aplicação de uma prova mais “democrática”, com questões mais interdisciplinares, contextualizadas, menos fórmulas e decoreba e a inclusão de Filosofia e Sociologia nas provas. Não demorou muito para o novo ENEM ser aprovado, com a intenção de servir de vestibular único para as universidades federais. A ideia foi muito criticada, já que alguns vestibulares já estavam programados e com edital feito, assim tiveram que mudar. Para o Ministro, a adesão à prova foi acima do esperado. Entretanto, devemos considerar que a maioria das instituições já utilizava o Exame como bônus na nota geral, com algumas outras raras o utilizando como forma de ingresso direto.

A principal crítica em torno de tais mudanças esteve sempre relacionado ao momento em que foram efetuadas as mudanças. Críticas totalmente plausíveis, por sinal; uma mudança tão radical no Ensino nacional (como no ENEM) deve ser prevista com antecedência, pelo menos um ano antes dela entrar em vigor, de fato. As escolas de ensino médio estariam melhor preparadas para tais alterações e poderiam preparar melhor os alunos para determinadas provas. Agora, temos uma verdadeira incógnita sobre como será o novo ENEM. Pode ser que cobrem X, Y ou Z., não se sabe como os assuntos serão verdadeiramente abordados. Assim, quem tentará o ingresso em uma universidade este ano fica totalmente perdido. Coloco-me entre esses alunos, já que a Universidade que desejo cursar aderiu o novo ENEM como forma única de ingresso.

Agora, imaginemos que o Exame é o vestibular único para todas as Universidades Públicas. Chega no dia da prova, estou passando mal, debilitado e acabo com um desempenho inferior ao que poderia alcançar. Ou seja, perdi o ano de estudos. Toda a dedicação foi água abaixo por estar doente no dia da prova. A inspiração de fazer um sistema de ingresso como nos Estados Unidos (que utiliza o SAT) acaba sendo falho, já que lá o exame é aplicado várias vezes ao ano, então o aluno pode realmente ser bem avaliado.

Além do ENEM, a Fuvest, maior e mais tradicional vestibular de nosso país (já que permite ingresso na USP), também anunciou mudanças. A princípio a mudança básica seria a inclusão de provas de todas as disciplinas para todos os concorrentes na segunda fase. Até aí, nenhuma mudança tão drástica, já que temos universidades como a Unicamp que aplicam provas de todas as disciplinas para todos os concorrentes na segunda fase.

Não satisfeita com as mudanças, hoje, o Conselho de Graduação da USP aprovou mais mudanças no vestibular. As mudanças são no que tange as matérias específicas cobradas na segunda fase. O primeiro dia continua igual, com prova de português e redação para todos. O segundo dia também passa a ser universal, com provas de todas as outras disciplinas. Já no terceiro dia, cobra-se apenas as disciplinas específicas – no máximo três. Agora, português não é mais “peso 2″ para carreira alguma.

A piada, entretanto, está em relação às novas disciplinas específicas de cada curso. Medicina trocou Física por… Geografia!!! Exatamente, agora os aspirantes a Medicina deverão saber Geografia física, rochas, relevo da Europa e Geopolítica para entrarem na mais desejada faculdade de medicina do Brasil – a Pinheiros. Assustador, eu diria. Acreditando que não teria mais surpresas, fiquei mais revoltado ainda quando vi as disciplinas para Odontologia. O curso é ministrado em três campi: Bauru, São Paulo e Ribeirão Preto. E cada uma das opções terá uma específica diferente. Para Bauru, Química, Física e Biologia; para São Paulo, Geografia no lugar de Física; já para Ribeirão, apenas Biologia e Química.

Esse é nosso maior e mais importante vestibular. Mais um ano que se passa e a Fuvest dá passos para trás, não contente com seu sistema de inscrição milenar – o único no qual precisa preencher ficha com foto datada.

Isso é Brasil.

Ira! – Núcleo Base

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