Copyright © 2010 Tratamento Ludovico. Silver theme by c.bavota & Juan Gordillo. Powered by WordPress.
Ética
Ética e desenvolvimento ficam onde?
Muitos veem o Brasil como um país subdesenvolvido, de uma população “ignorante” e com atitudes lamentáveis. Dinamarqueses são civilizados, certo?
Errado. Para demonstrarem que são “adultos” e “maduros”, jovens massacram golfinhos Calderon. Maduros onde?
Korn – Got the Life
O Brasil comprando a briga em Honduras
Há quase 3 meses, mais precisamente no dia 28 de junho passado, o mundo acompanhava em Honduras, na América Central, algo muito visto na região durante a Guerra Fria. O presidente Manuel Zelaya, eleito em 2006 para mandato até 2010, foi deposto pelas Forças Armadas do país, em sintonia com Parlamentares. Desde então, Zelaya não pode mais entrar no país. Quando tentou ao território hondurenho, foi ameaçado de prisão por parte do governo de Roberto Micheletti, eleito de maneira indireta pelo Congresso.
A causa do golpe de Estado remete a uma tentativa de realização de um plebiscito para uma possível mudança na Constituição hondurenha. Zelaya tinha a intenção de realizar o plebiscito juntamente com as eleições presidenciais em 29 de novembro próximo. O Congresso, entretanto, aprovou uma lei que proíbe a realização de votação 6 meses antes ou depois das eleições, o que impossibilitaria a realização. O estopim se deu com a tentativa de de um pré-plebiscito, marcado para 28 de junho. O Congresso e as Forças Armadas foram contrários, o que resultou na retirada do cargo do chefe militar do país.
Decidido a realizar o referendo, Zelaya buscou ajuda de partidários, porém exatamente no dia que estava marcado para ser realizada a pré-votação, teve sua casa invadida por militares logo pela manhã. Foi preso e deportado do país, tendo sido acolhido por diversos países latino-americanos. Com a subida de Roberto Micheletti ao poder, nenhum país reconheceu o governo e a Organização dos Estados Americanos (OEA) proibiu a participação de Honduras na Organização. Além disso, países como Brasil e Estados Unidos romperam relações formais com o país da América Central, principalmente no âmbito econômico.
Hoje, dia 21 de setembro, o presidente Zelaya retornou ao seu país. Após ser impedido de pousar uma vez e ameaçado constantemente de prisão, a Embaixada do Brasil em Honduras cedeu abrigo ao político deposto, que entrou misteriosamente no país, sem autorização e correndo o risco de ser preso pelos militares. Imediatamente após a volta de Zelaya, diversos manifestantes pró-Zelaya foram às ruas demonstrar apoio.
O governo de Honduras se manifestou pedindo ao Brasil que entregue Zelaya à justiça, para ser julgado no país. O governo brasileiro, entretanto, já se demonstrou contrário ao golpe e não reconhece o governo de Micheletti. A posição brasileira segue a posição de Hugo Chavez, Evo Morales, Rafael Correa, gerando críticas por parte de oposicionistas. Tal posicionamento, todavia, é apoiado por todas as nações do planeta, inclusive algumas como Colômbia e Estados Unidos, exatamente opositores aos presidentes citados anteriormente. Dessa forma, uma crítica ao governo brasileiro quanto à política “alinhada” ao presidente venezuelano Hugo Chavez é totalmente descabida.
A atitude tomada pelo governo brasileiro demonstra a “preocupação” para com as relações políticas internacionais, principalmente na América Latina. É evidente que o Brasil exerce uma posição de liderança em especial na América do Sul. Além disso, os interesses brasileiros no âmbito da diplomacia internacional com certeza pesam em decisões como esta. O fato de nosso país ambicionar um lugar de destaque no cenário geopolítico acaba influenciando ainda mais tal liderança. O retorno de Zelaya ao poder em Honduras é interesse mundial e a liderança brasileira no processo passa uma boa imagem aos líderes do mundo todo. Nada mais correto para alguém que aspira um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Em síntese, um bom trabalho da diplomacia brasileira.
Cazuza – Faz Parte do meu Show
Continue Reading »Egofobia
Vimemos conhecendo pessoas, fazendo amigos e amigos. Amigos ou não. Amigo sim, amigos não. As vezes achamos, sempre erramos. Quando acertamos, é de verdade; e errar é normal, é humano. Há quem jure estarmos certos, mas no fundo estamos errados. Bom seria se sempre estivéssemos certos.
Infelizmente, um pé sempre tem que ficar atrás; questão de preocupação. Aquela coisa: parece, mas (no fundo) não é. Claro que o estado de “indiferença” acaba sendo a melhor opção. A questão é a existência de ambientes nos quais temos que ser predominantemente “cegos” e “surdos”. Pelo bem de minha saúde e de minha mente, prefiro ser assim com alguns muitos, em alguns ambientes.
Sunshine of your love – Eric Clapton e Orquestra Sinfônica de Londres
Continue Reading »Falta Ética (e razão)
O Brasil tanto luta para se inserir no mundo dos países desenvolvidos. Até comemora o fato de ter sido classificado como tal pelo Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH. Apesar da “conquista”, pode-se dizer que é uma grande ilusão considerar nosso país realmente desenvolvido.
Creio que podemos observar o desenvolvimento de um país por meio de sua população. A educação e o respeito para com o próximo é um fator chave para se diferenciar o desenvolvido do não-desenvolvido. Em países europeus, um funcionário de uma fábrica estaciona seu carro mais longe da entrada, mesmo chegando mais cedo; pensa em teu colega que terá menos tempo para descer do carro e “bater cartao”. Já no Canadá, em uma estrada “de roça”, os ônibus escolares não vão para o acostamento quando param, e o transito dos dois lados da estrada é interrompido, pois a parada do ônibus indica que uma criança atravessará a pista. No Brasil, situações como as descritas não são nem imaginadas.
Durante essa semana, saí para andar de bicicleta e estive próximo de uma cena lamentável. Estava em uma das principais avenidas de minha cidade (Avenida Brasil, para quem conhece), andando, embalado, em uma daquelas “ciclovias” que podemos melhor chamar de “ciclofaixa”. Logo a frente, um ônibus circular encostava para a pista da direita, quando uma van fretada não esperou o ônibus completar a manobra para ultrapassá-lo. A van simplesmente invadiu a ciclofaixa, batendo no guidão da bicicleta de um sujeito que vinha na ciclofaixa, na contramão, entretanto. Para piorar a situação a van nem cogitou parar para verificar se havia ocorrido algo de mais sério com o sujeito.
Felizmente, o sujeito rapidamente se levantou, não sofreu nenhuma lesão séria, subiu na bicicleta e saiu andando normalmente. Não digo que o sujeito teve razão, pois ele andava na contramão, já que a há uma ciclofaixa de cada lado da avenida (nela, há um rio passando no meio). Por outro lado, nunca ninguém espera que uma van sem noção entre na ciclofaixa, sem nem olhar se há ciclistas. Em questão de segundos eu que estaria passando pelo local onde o ciclista foi atropelado.
Disso, vem meu questionamento? De quem é o erro? Não podemos dar razão para o ciclista, já que estava na contramão; bicicleta é considerado um meio de transporte como qualquer outro e exige que o ciclista respeite as leis de trânsito. Também a razão não é da van, já que não deu seta indicando que sairia para a direita e invadiu a ciclofaixa. Seria então falha da Prefeitura, que simplesmente implantou uma ciclofaixa em uma via que não fora construída com tal finalidade, dando aos ciclistas a falsa sensação de segurança? É triste relatar isso, mas com um pouco mais de ética, respeito e bom senso poderíamos evitar situações como estas e acidentes mais graves. Infelizmente o “jeitinho brasileiro” da Prefeitura, com a implantação de uma “ciclovia” em uma via principal, a falta de respeito e cuidado do motorista e do ciclista fizeram mais um acidente. Lamentável.
Led Zeppelin - Moby Dick
Continue Reading »A falta de paciência do torcedor brasileiro
O futebol. A paixão nacional. O esporte predileto da maioria dos brasileiros. O único esporte transmitido com frequência na televisão aberta brasileira. Um dos eventos com maior frequência da população (entre atividades culturais e etc). O melhor futebol do mundo, mesmo sem os melhores jogadores atuando no país, atrai multidões para os estádios.
Recentemente, depois de algum tempo sem frequentar estádios, assisti à uma partida de meu Palmeiras contra o Grêmio, no glorioso Palestra Itália. Em vista de um pouco mais de conforto (e facilidade na compra de ingresso, já que a compra foi feita via internet), fui no chamado Setor Visa, onde o ingresso é um pouco mais caro, mas são cadeiras numeradas em uma região com boa vista do campo. Cheguei no estádio e deparei com algo assustador, sob certo ponto de vista: a presença maciça de mulheres e crianças. Havia uma grande variedade de gerações, desde senhores “italianos” com suas esposas, até a nova geração palmeirense, com menos de 8 anos. Todos unidos por uma paixão; interessante, de certo modo.
Jogo vai-jogo vem, o Palmeiras marcou primeiro e logo tomou um gol. Depois disso, o time não apresentou um desempenho tão bom, errando muito e não oferecendo perigo para o adversário. Então começou a reclamação. Alguns torcedores começaram a reclamar de tudo quanto era jogador: o que estava com a bola era alvo de críticas. Nem o goleiro Marcos, ídolo máximo do time, foi poupado de críticas. Isso, de certo modo, me revoltou. Estava ali para torcer pelo time. Mesmo sem uma grande apresentação, torci até o fim, gritei, apoiei, lamentei. Até fiquei rouco, diga-se de passagem. Claro que reclamei de um ou outro erro, mas totalmente pelo calor do jogo. Ir ao estádio é para torcer e apoiar o time, não reclamar de todos. Se fica tão desagradado, não há lógica ir ao estádio. Ficar em casa é mais barato.
Para constar, dias antes, Obina era o melhor jogador do mundo ao marcar três gols contra o rival Corinthians; aquele dia, era o pior jogador do mundo, ruim, tosco e deveria ser depedido do time.
Lamentável.
Seu Jorge – Burguesinha
Continue Reading »Lamentáveis mudanças, senhor Haddad e dona Fuvest
O ano de 2009 será lembrado pelos vestibulandos como o ano das maiores incertezas. Há muito tempo fala-se em mudanças nos exames de ingresso nas universidades, mas até então nenhuma atitude muito radical havia sido tomada em massa. Infelizmente (pelo menos em meu ponto de vista, no 3º ano do Ensino Médio), esse ano todas as mudanças foram colocadas em prática.
Primeiramente especulava-se sobre um novo ENEM, com declarações do Ministro da Educação Fernando Haddad. Logo depois das especulações, a Unesp, assim como outras universidades públicas, anunciaram mudanças em seus vestibulares. De modo geral, o argumento de todas era a aplicação de uma prova mais “democrática”, com questões mais interdisciplinares, contextualizadas, menos fórmulas e decoreba e a inclusão de Filosofia e Sociologia nas provas. Não demorou muito para o novo ENEM ser aprovado, com a intenção de servir de vestibular único para as universidades federais. A ideia foi muito criticada, já que alguns vestibulares já estavam programados e com edital feito, assim tiveram que mudar. Para o Ministro, a adesão à prova foi acima do esperado. Entretanto, devemos considerar que a maioria das instituições já utilizava o Exame como bônus na nota geral, com algumas outras raras o utilizando como forma de ingresso direto.
A principal crítica em torno de tais mudanças esteve sempre relacionado ao momento em que foram efetuadas as mudanças. Críticas totalmente plausíveis, por sinal; uma mudança tão radical no Ensino nacional (como no ENEM) deve ser prevista com antecedência, pelo menos um ano antes dela entrar em vigor, de fato. As escolas de ensino médio estariam melhor preparadas para tais alterações e poderiam preparar melhor os alunos para determinadas provas. Agora, temos uma verdadeira incógnita sobre como será o novo ENEM. Pode ser que cobrem X, Y ou Z., não se sabe como os assuntos serão verdadeiramente abordados. Assim, quem tentará o ingresso em uma universidade este ano fica totalmente perdido. Coloco-me entre esses alunos, já que a Universidade que desejo cursar aderiu o novo ENEM como forma única de ingresso.
Agora, imaginemos que o Exame é o vestibular único para todas as Universidades Públicas. Chega no dia da prova, estou passando mal, debilitado e acabo com um desempenho inferior ao que poderia alcançar. Ou seja, perdi o ano de estudos. Toda a dedicação foi água abaixo por estar doente no dia da prova. A inspiração de fazer um sistema de ingresso como nos Estados Unidos (que utiliza o SAT) acaba sendo falho, já que lá o exame é aplicado várias vezes ao ano, então o aluno pode realmente ser bem avaliado.
Além do ENEM, a Fuvest, maior e mais tradicional vestibular de nosso país (já que permite ingresso na USP), também anunciou mudanças. A princípio a mudança básica seria a inclusão de provas de todas as disciplinas para todos os concorrentes na segunda fase. Até aí, nenhuma mudança tão drástica, já que temos universidades como a Unicamp que aplicam provas de todas as disciplinas para todos os concorrentes na segunda fase.
Não satisfeita com as mudanças, hoje, o Conselho de Graduação da USP aprovou mais mudanças no vestibular. As mudanças são no que tange as matérias específicas cobradas na segunda fase. O primeiro dia continua igual, com prova de português e redação para todos. O segundo dia também passa a ser universal, com provas de todas as outras disciplinas. Já no terceiro dia, cobra-se apenas as disciplinas específicas – no máximo três. Agora, português não é mais “peso 2″ para carreira alguma.
A piada, entretanto, está em relação às novas disciplinas específicas de cada curso. Medicina trocou Física por… Geografia!!! Exatamente, agora os aspirantes a Medicina deverão saber Geografia física, rochas, relevo da Europa e Geopolítica para entrarem na mais desejada faculdade de medicina do Brasil – a Pinheiros. Assustador, eu diria. Acreditando que não teria mais surpresas, fiquei mais revoltado ainda quando vi as disciplinas para Odontologia. O curso é ministrado em três campi: Bauru, São Paulo e Ribeirão Preto. E cada uma das opções terá uma específica diferente. Para Bauru, Química, Física e Biologia; para São Paulo, Geografia no lugar de Física; já para Ribeirão, apenas Biologia e Química.
Esse é nosso maior e mais importante vestibular. Mais um ano que se passa e a Fuvest dá passos para trás, não contente com seu sistema de inscrição milenar – o único no qual precisa preencher ficha com foto datada.
Isso é Brasil.
Ira! – Núcleo Base
Continue Reading »Camarada Obama, para os muito leigos
Minha terapia semanal está feita; minha leitura de divertimento está feita, após muitas risadas e deboches. A Veja desta semana está algo deplorável. No pior sentido da palavra. Acho que a edição 2104, de 18 de março de 2009 é a pior capa e pior artigo de capa dos últimos anos. Ao ver a capa da semana, tive vontade de vomitar; ler o artigo, então, me deixou em pânico. Juro que fiquei sem palavras para fazer algum questionamento sobre a reportagem. Fiquei sem reação, simplesmente. Talvez tenha pensado “Que por**** é essa?”.
Logo na capa, temos Barack Obama com uma sátira à bandeira norte-americana ao fundo. Ao invés das estrelas com o fundo azul, uma foice e um martelo. Em apologia à famosa imagem de Joseph Stalin, ex-líder soviético, à frente da bandeira de seu país. Em letras maiores, temos “Camarada Obama”, também em apologia à forma de tratamento entre os membros do Politburo Soviético. Logo acima, em letras menores, lê-se “Por que a intervenção do governo dos EUA e a quase estatização da economia não vão criar um…”. Triste, triste.
Absolutamente espantado, abro a revista para ler o artigo, escrito pelo jornalista André Petry. Decepção total (não esperava nada melhor). Explica-se o “motivo” da reportagem. Um grupo de pessoas de classe média protestou, no estado da Louisiana, contra um suposto socialismo de Obama. Fora tachado de comunista e aparecia diante de foices e martelos. Sim, isso é um exemplo prático do que pode ser chamado de um “grupelho de lunáticos que na tem mais que fazer”.
Como exemplo de protestante, a revista coloca um radialista, surdo, ex-viciado em analgésico e podre de rico, que define o governo Obama como “socialismo, coletivismo, Stalin, como vocês quiserem chamar”. Se fosse para definir um lunático sem ter o que fazer, acho que esse sujeito seria o estereotipo mais adequado, o tal de Rush Limbaugh. Além dele, um repórter do New York Times questionou Barack Obama se ele era socialista; pior que isso, sem sarcasmo. Sem comentários para a falta de conhecimento político e histórico de seres como os dois citados.
Todo esse mimimi porque o governo norte-americano injetou 180 bilhões de dólares na seguradora AIG, 100 bilhões no Bank of America e no Citigroup. No setor automobilístico, 17 bilhões para General Motors e Chrysler. Além disso, Obama pretende aumentar os impostos para aqueles que recebem mais de 250 mil dólares anuais (algo em torno de 550 mil reais por ano), ampliar o sistema de saúde para toda população, aumentar o papel do governo na escola primária e ajudar universitários de baixa renda. Por causa disso, é chamado de comunista. Um pouco de leitura mostra que isso não tem nada de comunista.
Estatizar empresas dos setores mais afetados não é a solução? Para o radialista, não; para vários economistas, sim. Volto a bater na tecla de que uma economia planejada e com controle estatal não sofre tanto com crises quanto uma neoliberalista. Não digo que a economia norte-americana precisa ser como era a soviética, mas um controla por parte do Estado poderia ser interessante. Além disso, assistência médica e boa condição de educação é direito do cidadão e dever de um Estado digno. Para isso, aumento de 5% nos impostos dos mais favorecidos. Dói tanto assim? Alguém falou em coletivizar as propriedades dos mais ricos?
Para os conservadores e lunáticos defensores do liberalismo, a solução é deixar a economia ir para o fundo do poço. É deixar milhares de pessoas sem moradia, dentro de barracas em acampamentos comunitários; milhões sem empregos. Talvez realmente seja. Um país em que os cidadãos não conseguem pensar no próximo, naquele que também é cidadão e, a princípio, tem os mesmos direitos e deveres.
Lamentável, norte-americanos alienados. Lamentável, Veja. Um artigo desse nível é deplorável para imagem de uma revista tão influente e de tamanha circulação. Ou o nível dos leitores caiu muito, ou os editores estão com problemas mentais. Não é possível um brasileiro que realmente acredite que Obama pode instalar um regime socialista nos Estados Unidos. Um ser com um neurônio e meio e com interesse em comprar uma revista como a Veja consegue diferenciar o que é Socialismo de um plano de resgate para uma economia em crise. Se não consegue também, volte para escola primária, oitava série (nono ano), e veja a professora de história falar sobre Karl Marx e Revolução Russa.
Triste Veja, triste. O subsolo do Kremlim deve estar se revirando com uma reportagem desta.
Queen – I want to Break Free
Continue Reading »O dia em que os Estados Unidos se aproximaram da União Soviética
29 de janeiro de 2009. Não digo que os Estados Unidos da América passará a ter um regime socialista, muito menos comparo Obama a Lênin. Nesta última quinta-feira, porém, o presidente norte-americano assinou o Ato Lilly Ledbetter, primeiro projeto de lei aceito pelo presidente em sua gestão. O Ato, que leva o nome de uma ex-supervisora da fábrica de pneus Goodyear Tire & Rubber, prevê condições salariais iguais para homens e mulheres em todo o território estadunidense. Ano passado, o mesmo projeto de lei fora vetado pelos senadores republicanos, partido mais conservador e oposicionista ao de Obama. Durante a campanha presidencial, John McCain (candidato Republicano) foi criticado ao dizer que o Ato causaria vários processos de mulheres contra empregadores.
A antiga supervisora da empresa foi vítima de discriminação de pagamento, já que outros supervisores recebiam salários muito mais altos que o seu. A diferença salarial passava de US$8 mil. Com isso, Ledbetter processou a empresa, sem sucesso. Em 2007 a Suprema Corte votou contra a indenização de US$360 para a mulher.
Voltando no tempo quase 92 anos, a Europa passava por uma das maiores revoluções da história: a Grande Revolução de Outubro, a Revolução Russa. Logo após a Revolução e a tomada do poder por parte dos Bolcheviques, o líder da Rússia pós-revolução, Lênin, decretava o direito de igualdade salarial entre homens e mulheres. Além disso, as mulheres passavam a ter direitos civis, como direito ao divórcio, direito de voto e participação em cargos públicos, contanto que não fossem atreladas aos serviços domésticos, tão comuns no mundo capitalista.
Há quase um século, a Rússia (mais tarde União das Repúblicas Socialistas Soviéticas)
Proclamava a igualdade entre todos os cidadãos, sem distinção de sexo. Curiosamente, um país que se julga tão democrático e diz buscar promover a democracia em tantos países do mundo passa a ter direitos salariais iguais entre homens e mulheres muito depois de um país que era considerado “atrasado” por muitos. Como já diziam os socialistas do século XX: “Somos iguais todos os seres/Não mais deveres sem direitos/Não mais direitos sem deveres”. É para se comemorar tal “avanço” norte-americano.
Seu Jorge e Ana Carolina – Problema Social
Continue Reading »Começou aquele tal de BBB
Começou o tal BBB, programa da maior rede de televisão brasileira. Sim; infelizmente, a diversão (ou não) do povo está de volta, em sua, pasmem, nona edição. Com ou sem novidades, com ou sem Pedro Bial, com ou sem a loira do “zero trinta e um, trinta e um, trinta e um, trinta e um”. O fato é que está de volta.
Confesso que não acompanhei a estréia do programa, agora a pouco, depois de alguma novela (a que passa mais tarde. Não vou chutar América, pois sei que já acabou). De qualquer forma, tenho certeza de que o sensacionalismo característico da tal rede de TV popular foi o mesmo. Provavelmente já lançaram um “as mulheres deverão usar roupa azul ou verde amanhã? Para votar em azul ligue 0300313131; agora se você quer que usem roupa verde, ligue para 0300313132.” E, claro, milhares de pessoas já pegaram seus telefones e ligaram, até porque são apenas 31 centavos da ligação, mais os impostos. Talvez essas milhares de pessoas não saibam que os impostos brasileiros são meio altos. De qualquer forma, cada um é cada um; se quer enriquecer quem já é podre de rico, que enriqueça.
Poderia tentar calcular quanto ganham com o programa e etc, mas sendo bastante sucinto, pode-se ter uma noção dos valores. Se cada “paredão” der 1 milhão de votos por meio de ligações e cada ligação der 1 centavo para a emissora, temos R$10 mil. Agora, o programa tem pelo menos uns 10 “paredões”, portanto apenas aí já são R$100 mil. Isso porque estou trabalhando com valores baixíssimos. É claro que o valor recebido por ligação é muito maior que 1 centavo e o número de votos e de “paredões” é maior. Além deles, temos as votações “azul ou verde”, que geram mais uma considerável renda por meio das ligações. Não satisfeitos, ainda temos o valor que muita gente paga para poder assistir ao programa 24 horas por dia (sim, incrivelmente tem gente que tem coragem de pagar).
Sinceramente, acho que um programa que mostra um monte de gente bonita, rica e cheia de saúde não pode ser denominado Reality Show. Quer ver a realidade do mundo gastando dinheiro, vá para a África, ande por um campo de refugiados. Caso não queira gastar dinheiro, ande pelo centro de São Paulo por alguns dias. Aquilo é o show da vida, aquilo é a realidade dura e sofrida de brasileiros. Qual a realidade de ficar numa mansão, cheia de mordomias, sem acesso a nada do mundo que o cerca, junto de outras pessoas que também ficarão mais ricas ainda? Não ter sequer um relógio para se preocupar com horário para dormir e acordar é vergonhoso e não pode nunca ser considerado algo realista.
Se pegarmos o perfil de todos os participantes do “Reality Show”, com certeza estaremos longe da realidade de nosso país. 53% da população é branca, 39% mulata e 6% negra, além de outras etnias, que representam uma minoria. Apenas com uma comparação étnica, pode-se perceber que a distribuição dos participantes é totalmente manipulada. Além disso, grande parte tem (ou tinha, na época) idade entre 18 e 35 anos, o que também foge da realidade, juntamente com a distribuição por Unidade Federativa. Pelo que vi numa manchete da internet, nesta edição há dois “sessentões”. Isso que é distribuição etária, não?
Ao meu ver, isso é ridículo. Do fundo do coração. Como pode algo tão cínico e horrível ser tão promissor e render tanto lucro? Enquanto houver pessoas ignorantes o suficiente para darem audiência e dinheiro (principalmente), teremos de aguentar isso. Leiam livros; gastem dinheiro com livros, com cultura útil. Agora, ver um tanto de gente rica sem fazer nada da vida dentro de uma casa, está longe de ser realidade. O BBB não me faz ganhar a vida. Deixo que cada um decida o que significa cada letra “B”.
Tom Jobim – Favela
Continue Reading »Efeito George Bush na eleição de Barack Obama
Barack Hussein Obama, o primeiro negro eleito presidente nos Estados Unidos. Um marco não só para política norte-americana, mas para a política mundial. Há quem busque explicações para o “Fenômeno Obama”. É difícil afirmar que existe uma razão concreta. Provavelmente a explicação mais lógica seja a diferença de Obama para todos os outros presidentes eleitos; afinal, é negro, descendente de muçulmanos. Com o slogan de mudança, tudo se facilitou. Todavia, a mudança proposta pelo presidente eleito vai muito além de sua herança cultural. Como afirmou Arnaldo Jabor logo após a eleições, o principal responsável pela vitória de Obama nas urna é o próprio George Bush. A rejeição do atual governante norte-americano é absurda. Várias de suas grandes decisões e atitudes, como aquelas relacionadas a guerra no Iraque, são bastante contestadas e gera uma rejeição bastante alta. Essa rejeição é consideravelmente alta nos Estados Unidos. No mundo, então, nem precisa dizer. O resultado das eleições foi recebido com festa em vários países do mundo. Os cinco continentes celebraram Obama; os cinco continentes acreditam em Obama; os cinco continentes vêem em Obama uma oportunidade de mudança para consertar as contestadas decisões de George Bush. Não é difícil vermos manifestações com pessoas queimando fotos de George Bush. Bandas norte-americanas, como o Living Things, já queimaram imagens do presidente; algumas outras, como o Rage Againts the Machine, faz duras críticas durante seus concertos. É assim que Bush deixará o poder dia 20 de janeiro de 2009. O mundo quer alguém para colocar um fim na Doutrina Bush, na guerra no Iraque, na proibição do casamento gay. Seria Bush o homem mais odiado no mundo? Talvez sim; ou talvez não. O mundo simplesmente não quer ver mais seu rosto na televisão. Por isso, o mundo agradece a George Bush, por ter feito Barack Obama um fenômeno.
Rage Against the Machine – Know your enemy
Continue Reading »